X-Men Origens: Wolverine (Gavin Hood, 2009)

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Existe um fator curioso sobre adaptações dos quadrinhos para a sétima arte. Poucas vezes podemos encontrar dentro destas obras o dito “cinema de referência” como em Tarantino. O diretor sempre consegue pegar tudo aquilo que foi a sua formação cinéfila e técnica, traçar um plano metodológico rigoroso e construir sua linguagem pessoal. Filmes cuja origem da história é quadrinesca geralmente são fechados demais em seu universo e pouco dialogam com o próprio cinema. Temos exceções como a trilogia do Homem-Aranha de Sam Raimmi ou este novo filme da série X-Men.

Quando X-Men Origens: Wolverine passa a dialogar com os filmes de faroeste, surge a sua beleza. Logan (Hugh Jackman) não deixa de ser um cowboy errante, de passado obscuro, cheio de cicatrizes. Como nas histórias de faroeste, aqui discute-se a lealdade, o machismo e um tema caro à esta referência: vingança. Esta estética é evidenciada, por exemplo, no encontro de Logan com seu irmão Victor no bar, no início do segundo ato. Há o dono medroso, a tensão na atmosfera. As garras são colocadas de fora como as pistolas eram sacadas, tal qual no western. Prova de que mutantes são mais próximos de cowboys do que imaginávamos: os dois são símbolos daqueles que sempre estiveram à margem na sociedade.

Ricardo Oliveira

Publicado originalmente no Guia Cenário Cultural.

2 Replies to “X-Men Origens: Wolverine (Gavin Hood, 2009)”

  1. Alguns fanáticos pelo X-Men, que conhecem tudo da história ao pé da letra, sairam do cinema revoltados com o parentesco não existente de volverine e dente de sabre. Como eu nao me encaixo nesse grupo e nunca vi nenhum x-men na minha vida adorei o filme!!

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