Ou prepare a pipoca e assista o mundo se destruir.

“Até quando, meu Deus? Quando vai acabar tanta gente sofrendo?”
Nelma Vietes (avó do menino João Hélio)

Dona Nelma, confesso que me pergunto a mesma coisa frequentemente, até quando?. A tragédia que aconteceu com a vida do menino de 6 anos, João Hélio é uma oportunidade, infelizmente pós-tardia, para repensarmos nossos conceitos e a sociedade.

Edu Martins, revoltosamente, colocou sobre a tragédia: “ Devíamos parar o Brasil, Parar tudo… Dobrar os joelhos e nos declarar miseráveis… Fazer greve geral! Baixar as portas até segunda ordem, até que possamos fazer algo de fato para que o futuro possa acordar desse sono que já dura mais de 500 anos… Devíamos nos fazer em rios de lágrimas e nos contorcer inconformados de permitir a volta à “normalidade”.

Equivocadamente , construimos uma linha de pensamento na qual poderiamos viver indiferentes a nossa responsabilidade social. Caminhamos como se os problemas sociais simplesmente não fossem da nossa conta. Àqueles que se dizem cristãos, conformam-se friamente com fato de que há muitos que vivem como se Deus não existisse, como colocou o Papa Bento XVI, e a grande verdade é que ninguém tem o direito de ser indifente a nossa realidade, pois ninguém está realmente a salvo. Sem ser pessimista, mas já sendo, não vai parar por ai, João Hélio não foi o primeiro e infelizmente não será a ultima vitima do caos social que vivemos.

Minha pergunta é: “De quem é a responsabilidade de mudar nossa realidade social?” Nossa sociedade merece mudança, mas quem tem a responsabilidade de promovê-la? A responsabilidade é minha, é sua, é dos governantes, é dos Josés, Joãos, de todos nós. Todos somos responsáveis por promover mudanças sociais, e a grande verdade, é que elas não acontecerão sem a massiva participação da nossa sociedade.

Como? Seria a questão seguinte! E para responde-lá, confesso uma das razões pela qual adimiro extremamente a vida e a filosofia de Jesus Cristo. Em um exemplo de problema social, quando uma multidão necessitava ser alimentada, Cristo, não propôs aos seus discípulos saídas espirituais, ou mesmo orou buscando uma maneira de alimentar a multidão. Jesus, primeiramente, responsabilizou os seus discipulos (nós) pela tarefa de alimentar a multidão: “Dai-lhes vós mesmos algo para comer” (Mac 6:37) Em seguida, procurou saber o que eles tinham em mãos para cumprir a tarefa: “Quantos pães tendes?” (Mac 6:38).

O Evangelho de Cristo é prático! Não estou propondo que deixemos de orar em busca de saídas para as crises sociais, na verdade, digo que precisamos orar sim, e muito, mas nossas orações precisam ser transformadas em atitudes, precisamos mostrar ao mundo que nossa preocupação com a sociedade vai além das nossas vigílias e dos nossos encontros dominicais.

Chegou a hora (na verdade essa hora já chegou à centenas de anos), dos candeiros sairem debaixo da vasilha e iluminarem o mundo, caso contrário o breu (escuridão) vai continuar nos cobrindo.

Termino deixando o Lenine e suas divagações apelarem a você: Quem vai pagar a conta?, quem vai lavar a cruz?, o ultimo a sair do breu acende a LUZ”

Pedro

2 Replies to “Ou prepare a pipoca e assista o mundo se destruir.”

  1. É incrível como brasileiro precisa (precisar no sentindo de necessitar mesmo, de ser algo imprescindível)de uma catástrofe pra acordar.
    Nós, cristãos de hoje, somos como aquelas noivas néscias, que dormem enquanto deveriam ter ido buscar o azeite, e agora que o noivo chegou e já foi de novo, ficam desesperadinhas chorando pela sua calamidade.
    Infelizmente ficamos de braços cruzados toda a história,desdes os primórdios, com excessão de alguns grandes homens que ironicamente foram perseguidos justamente pelos chamados “cristãos”, e agora nos perguntamos…Por quê?
    Vergonha.
    Muito legal teu post….

  2. e que despertem os sonolentos, que leventem-se os que estão caídos…

    luz = responsabilidade

    abraço’s

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